Depressão e ansiedade estão associadas a uma pior saúde cardíaca em jovens adultos

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Jovens adultos com depressão ou ansiedade têm maior probabilidade de apresentar níveis mais baixos de saúde cardiovascular, mostram novas pesquisas. Nas idades entre 18 e 34 anos, vivendo com alguma dessas condições de forma moderada a severa, esses grupos eram mais propensos a fumar e ter excesso de peso, além de menos inclinados a fazer exercícios adequados.

Os resultados foram apresentados no Epidemiology, Prevention, Lifestyle virtual da American Heart Association e Conferência de Saúde Cardiometabólica de 2021. Esta é uma contribuição recente para um corpo de pesquisas crescente que mostra como a depressão e a ansiedade afetam também a saúde do coração.

Durante a pandemia de Covid-19, a porcentagem de adultos norte-americanos que experimentaram depressão ou ansiedade saltou de 36,4% para 41,5%, com o maior aumento entre as pessoas de 18 a 29 anos, de acordo com dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças.

Pesquisas anteriores se concentraram principalmente em adultos mais velhos como mais propensos a ter fatores de risco para doenças cardiovasculares. Mas, de acordo com os autores do estudo, transtornos de humor como depressão e ansiedade geralmente surgem em adultos mais jovens. Daí o interesse em analisar a associação com a saúde cardiovascular nessa faixa etária.

Principais achados

 Os resultados mostraram que 134 participantes (15%) tinham ansiedade moderada a grave. Eles eram menos propensos a ter níveis ideais de atividade física, tabagismo e peso, e um escore de saúde cardiovascular 0,91 pontos menor em comparação com aqueles sem a doença.

Da mesma forma, 15% dos participantes tiveram depressão moderada a grave e pontuaram piores nas mesmas métricas, bem como colesterol e pressão arterial. Pessoas que tendem a fumar (um dos maiores fatores de risco para doenças cardíacas) podem estar fazendo isso para contrabalançar sua ansiedade ou depressão, afirmam os pesquisadores.

Uma declaração científica da AHA publicada este ano na Circulation resumiu que, devido à clara ligação que surge entre a saúde psicológica e a saúde cardíaca, os médicos devem avaliar o bem-estar mental dos pacientes cardíacos como parte dos cuidados de rotina.

Até o momento, nenhum estudo mostrou que as intervenções para tratar a ansiedade ou a depressão têm um efeito na redução dos fatores de risco para doenças cardiovasculares, mas isso não significa que a população não possa tomar medidas para melhorar o bem-estar mental e cardiovascular.

Como fica esse cenário no Brasil?

O Brasil, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), antes da pandemia já era o país mais ansioso do mundo e também apresentava a maior incidência de depressão da América Latina, impactando cerca de 12 milhões de pessoas. Durante a Covid-19, a situação se agravou.

Em um estudo realizado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UEFJ), mostra-se um aumento de 90% nos casos de depressão.  Entre março e abril de 2020, o número de pessoas com crises de ansiedade e sintomas de estresse agudo praticamente dobrou.

Adotar hábitos como dormir melhor, manter um peso saudável e seguir uma dieta balanceada é algo importante para se atingir antes que essas pessoas cheguem em uma idade mais difícil de modificar seus comportamentos. Detectar esses fatores de risco mais cedo beneficia a população e os pacientes de modo geral.

O estudo incentiva que os médicos continuem a examinar rotineiramente a depressão e a ansiedade em seus pacientes mais jovens – e ao mesmo tempo estejam atentos a problemas cardiovasculares. Também se sugere o contrário: se um jovem adulto parece estar em risco de doença cardíaca, os profissionais de saúde devem perguntar sobre seu bem-estar mental.

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